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DA FALA AO SOFRIMENTO PSIQUICO GRAVE:ensaios acerca da linguagem ordinaria e a clinica familar da esquizofrenia

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Costa, Ileno Izidio da 

O trabalho apresentado neste livro representa um marco para o conhecimento da esquizofrenia no Brasil. Produto das investigações cientificas realizadas no Brasil e na Inglaterra pelo Prof. Ileno Izídio da Costa esta publicação representa uma importante contribuição para pesquisadores e terapeutas que se dedicam ao estudo e trabalho com famílias com membros portadores de sofrimento psíquico grave, como assim ele opta por nominar.

A leitura deste livro nos permite percorrer teorias que foram se constituindo sobretudo a partir dos anos 50, passando pelos precursores da terapia familiar como Sullivan, Frieda Fromm-Reichmann e Freud passando pelos pioneiros da terapia familiar propriamente dita, em especial aqueles que muito contribuíram para o conhecimento da estrutura e dinâmica de famílias com pacientes esquizofrênicos.

O dedicado Ileno Costa, durante sua formação em comunicação e psicologia, com muito afinco, determinação e dotado de espírito crítico, analisou os trabalhos de Ackerman, Don Jackson, Theodore Lidz, pioneiros da terapia familiar que introduziram conceitos tais como cisma conjugal (marital schism), distorção conjugal (marital skew) levando o casal a uma "folie a deux"; estudou os trabalhos de Lyman Wynne que com suas pesquisas desenvolveu os conceitos de pseudo-mutualidade pseudo-hostilidade na descrição de estruturas de famílias disfuncionais, sem esquecer os pioneiros da abordagem transgeracional como Murray Bowen que, no seu projeto de hospitalização de famílias inteiras com um membro esquizofrênico, primeiro incluiu a mãe e posteriormente o pai no diagnóstico e no tratamento, fundamentando o campo da terapia familiar e introduzindo alguns conceitos importantes para a compreensão da área, como por exemplo, o conceito de divórcio emocional subjacente às questões de dominação e submissão observadas nos pais dos esquizofrênicos e o conceito de massa indiferenciada de egos observados nas dinâmicas familiares pesquisadas.

A descoberta pelo grupo de pesquisadores de Palo Alto, entre eles Gregory Bateson, Jay Haley, Don Jackson e John Weakland (The Etiology of Schizophrenia, Toward a Theory of Schizophrenia) sobre a teoria do "duplo vínculo", fundamentada pela teoria dos Tipos Lógicos desenvolvida pelo filósofo britânico Bertrand Russell, levou ao que Miermont definiu como "inteligibilidade dinâmica das esquizofrenias", ou seja uma pragmática das comunicações entre o paciente e seu meio familiar e social, constatando no dizer de Paul Watzlawick que o paradoxo fundamental do paciente esquizofrênico consiste na sua impossibilidade de comunicar que não comunica, tornando-o portanto incapaz de identificar diferentes modalidades de comunicação.

Foi neste contexto de muitas indagações científicas e pelas lacunas na compreensão deste complexo problema visualizadas na prática em clínicas psiquiátricas e hospital dia, além de sua prática clínica pioneira, que o Prof. Ileno partiu para aprofundar seus estudos, e hoje nos traz essa obra, produto de um intenso labor de articulação da filosofia, em particular a Filosofia Analítica, com a Psicologia Clínica que ainda é pouco conhecida nos meios acadêmicos da área psicológica no Brasil.

Essa obra, a partir da qual obteve seu título de doutor em Psicologia Clínica, nos transmite de maneira clara os fundamentos do porque a necessidade de uma (re)articulação entre filosofia e psicologia, analisando criticamente os principais dogmas do empiricismo inglês a partir dos trabalhos de W. O. Quine, passando pela análise crítica das contribuições do francês Ferdinand Saussure, fundador da Semiologia e que teve grande repercussão sobretudo na psicanálise, e por muitos outros grandes expoentes no campo da Filosofia da Linguagem.

Partindo da conclusão de Wittgenstein de que o significado é um fenômeno social e que depende de como ela é usada na interação social e não de qualidades formais, o Prof. Ileno Costa apresenta as idéias desenvolvidas pelos filósofos da linguagem ordinária ou comum, que analisam a linguagem no uso cotidiano e vai mais além ao articular com a psicologia centrando-se em seus estudos da esquizofrenia dando seguimento às descobertas já enunciadas pelos pesquisadores e terapeutas de família. Desta forma, o autor apresenta uma efetiva contribuição a produção de conhecimento na área ao resgatar as teorias da linguagem (Filosofia da Linguagem Ordinária, Teoria dos Atos da Fala) desenvolvida por J. L. Austin, autor do livro " Quando dizer é fazer", traduzido pelo Prof. Danilo Marcondes e publicado em 1990, vinte e um anos depois de sua publicação original na Inglaterra, e a obra de John Searle "Os actos da Fala" traduzido e publicado em Portugal em 1984, além de outros importantes trabalhos na área.

Podemos dizer que a contribuição ímpar do trabalho desenvolvido pelo Prof. Ileno Costa aponta para a reflexão crítica sobre os conceitos, concepções e diagnósticos utilizados na área fazendo com que o pesquisador ou o estudioso do tema esteja livre para poder considerar o indivíduo tido como esquizofrênico como uma pessoa que tem algo a dizer de forma diferente da comunicação e da linguagem cotidiana e normatizada. Através da proposta de análise dos atos de fala dos tidos como pacientes e presentes na comunicação da família poder-se-á enveredar, pela proposta do autor, pela possibilidade de escuta (clínica) diferenciada e de consideração desta (suposta) patologia como portadora de uma linguagem particular a ser decifrada. É por esta vertente que podem (re) começar as investigações sobre esta realidade, fazendo depurações conceituais e epistemológicas para buscar desvelar aspectos outros ainda não estudados nestes cem anos de criação do conceito de esquizofrenia e cinqüenta de estudos sobre a interação familiar do esquizofrênico.

Portanto, recomendamos a leitura desta obra, produto de uma trajetória voltada para o estudo e a pesquisa, conduzida com rigoroso critério científico, se impõe aos terapeutas, pesquisadores, professores, alunos, não só pelo valor intrínseco do texto, mas porque vem trazer novas luzes a complexidade do tema ao aprofundar o questionamento da decifração do enigma da loucura, da família e suas formas de interação. O que certamente contribuirá para o aperfeiçoamento dos clínicos na sua lida cotidiana com o sofrimento inerente às famílias e à psicose.

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